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"Aprender para fazer, fazer para aprender": a Educação Física, o Esporte e o Lazer no Campus Bambuí (1968 a 2007)

  • Publicado: Quarta, 24 de Junho de 2020, 14h20
  • Última atualização em Sexta, 03 de Julho de 2020, 08h54

DIVERSÃO E CONHECIMENTO EM CASA - PARTE VIII

Educação Física, Esporte e Lazer

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A pesquisa “Memórias das práticas corporais, dos esportes e do lazer do Campus Bambui (1968 – 2020)" teve por objetivo resgatar as memórias de ex-professores, servidores e alunos da instituição, a qual este ano completará 52 anos, desde a sua fundação em 1968, quando foi transformada em Colégio Agrícola de Bambuí pelo decreto 63.923, até os dias atuais, como Instituto Federal de Minas Gerais.

A presente pesquisa foi desenvolvida pelo método da história oral (ALBERTI, 2005, p.155-202), pois a produção de depoimentos orais foi crucial para produzirmos fontes num contexto em que outros documentos como os impressos (atas, regulamentos, textos informativos, crônicas, matérias de jornais, cadernos de planejamentos, panfletos, cartazes, e afins) se perderam ou não foram devidamente preservados.

Atualmente, temos um museu institucional no Campus Bambuí, que foi inaugurado em 2016, onde consegui catalogar muitas imagens de práticas corporais diversas, as quais nos deram indícios da forte presença do esporte, com seus códigos e regras. Consegui recolher um número bastante expressivo de troféus, que podem ser lidos e possibilitam recontar uma parte expressiva da história dos eventos esportivos, pois em alguns deles têm gravado o nome da competição e o ano em que foi realizada. Fiz também um levantamento de documentos (fotos, vídeos, impressos, panfletos e documentos audiovisuais de uma forma geral).

Numa análise dos 11 depoentes temos que: 5 deles foram professores da instituição, dentre eles os dois primeiros docentes de Educação Física, que trabalharam mais de duas décadas na escola e que foram os responsáveis por implementar os primeiros sentidos dessa área. Cada um dos docentes, 3 homens e 2 mulheres, imprimiram suas intervenções pautadas num contexto mais amplo da EF e que dialoga com o conhecimento produzido em cada momento histórico. Percebi, pela análise mais geral, bastante coerência com suas formações, suas experiências de vida relatadas nas entrevistas e suas trajetórias profissionais. São eles: Hilton Rogério de Carvalho, Luiz Vaz Dias, Júlio César do Santos, Gislaine Fátima Geraldo e Ana Flavia Leão Pereira.

Dos 6 ex-alunos entrevistados, 4 deles, posteriormente, se tornaram servidores do Campus: Alda Maria Torres Campos, Ermin Rosa da Silva, José Heleno de Carvalho e Andreia Martins de Oliveira e Lima. 

Também entrevistei o ex-aluno Aílton Barbosa Santana, que estudou no Campus na década de 1990, mais especificamente de 1995 a 1997. E o ex-aluno Matheus Alexandre Silva, que estudou no Campus no início dos anos 2000, mais especificamente de 2002 a 2004. Dessas duas entrevistas extrai relatos muito importantes para entender melhor a vida dos alunos que residem na moradia estudantil, pois os dois, em momentos diferentes, residiram na escola e revelaram aspectos muito significativos para pensarmos a educação do corpo na realidade de uma instituição educacional, suas rotinas, suas estratégias e toda a dinâmica social presente nesses espaços.

Todos(as) os(as) alunos(as) e servidores(as) falaram da importância das suas respectivas passagens pela instituição, destacando não somente o lado profissional, mas, sobretudo, a formação humana, os valores adquiridos e "solidificados". Procurei colher os depoimentos de sujeitos que estudaram na instituição em momentos diferentes, e essa foi uma escolha interessante, pois possibilitou analisar a Educação Física em diferentes momentos e, também, a atuação dos professores em diversos momentos das suas trajetórias profissionais. Consegui entrevistar ex-alunos que estudaram na antiga Escola Agrícola na década de 70, 80 e 90.

O primeiro professor de Educação Física do Colégio Agrícola de Bambuí foi Hilton Rogério de Carvalho, que atuou como professor de Educação Física de 1968 a 1990. Ele era militar e, quando questionado de como começou a trabalhar como professor de Educação Física, relatou:

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"Pelo seguinte, eu tinha feito um curso de Educação Física, e eu tinha feito um pouco antes, eu tinha feito o exército, então naquela época a carteira de reservista dava a gente o poder, a autorização de lecionar a EF, desde que a gente fizesse uma reciclagem todo ano. Então, todo ano eu ia para Belo Horizonte e fazia essa reciclagem em diversos lugares lá, era na academia militar, num batalhão da polícia que tinha lá no Calafate. Em diversos lugares, fui em Patos de Minas, em Divinópolis...em diversos lugares para poder renovar a licença para gente. Foi por aí, depois eu adquiri estabilidade na escola e fiquei lá até aposentar". Professor Hilton Rogério de Carvalho.

A Educação Física no Campus Bambuí seguiu uma tendência nacional, teve influências no seu começo de uma perspectiva militarista, e, depois, de uma visão na qual o esporte com seus códigos, princípios e valores, predominou. Essa foi uma das primeiras hipóteses que levantei, mas numa cidade do interior com menos de 15 mil habitantes naquela época, o que chama a atenção, nesse caso em específico, é o protagonismo e a perspectiva de cada professor, que é evidente, tem a ver com a formação de cada sujeito. Embora desde o século XIX na Europa, os métodos ginásticos europeus, os preceitos e as rotinas militares configuraram a invenção de uma pedagogia cujo o objetivo principal era o controle e a educação dos corpos, segundo Vigarello e Holt:

"Mais amplamente, a ginástica nova sugere a reviravolta possível das aprendizagens escolares, adaptada como nunca antes ao espaço e ao tempo da classe, favorecendo também os dispositivos de grupo e os exercícios coletivos. Seus princípios de fragmentação orientam e orquestram uma pedagogia: É indispensável estabelecer uma disciplina e comando militares a fim de poder fazer executar ao mesmo tempo a maioria dos exercícios elementares. As ordens dadas aos alunos são ainda mais regradas, porque os movimentos são limitados e precisos, os programas são tanto melhor definidos porque as progressões se transformam em séries. A classe se torna em dispositivo geometrizado cuja exploração nova os pedagogos de meados do século medem: Os exercícios simultâneos não têm apenas a vantagem de exigir dos alunos o maior silêncio, mas também de fazer com que contraiam o hábito de uma atenção constante e de uma pronta obediência, hábito que em pouco tempo eles conservam nas classes. Não que a escola adote de imediato a prática, pelo menos está claramente informada dela durante a década de 1830".

Os preceitos e as condutas do âmbito militar eram uma constante nas aulas do Professor Hilton Rogério, que era carinhosamente conhecido por todos como "Popó", e que como podemos perceber claramente na sua fala abaixo, inclusive utilizando palavras e expressões bem representativas como: "entrar em forma", "a ordem unida", a forma de fazer os alunos aprenderem a marchar, todo o enquadramento que visava imprimir nos corpos dos alunos, nos seus hábitos cotidianos e na suas condutas, para além da formação escolar, uma premissa de que o controle dos corpos, nessa conjuntura, era de fundamental importância para o bom andamento das rotinas escolares.

"Depois aí continuou a gente dava as aulas ali no campo de futebol e muitas vezes começava as aulas, as vezes lá no campo, às vezes em frente a cozinha, do lado esquerdo da cozinha, porque a turma entrava em forma ali. E eu trouxe para as aulas de Educação Física, eu não sei se beneficiou os alunos ou não, mas eu creio que sim, aquele ranço de militar sabe, de horário, de coisa certa, horário certo, de chegar na hora certa, então eu fazia a chamada lá, a gente fazia o aquecimento, pra depois descer pro campo. Era ali que acontecia os casos, que toda reunião de ex-aluno eles contam. Os casos de que eu fazia com as turmas ali, que era o seguinte, que lá no meio da... perto... perto do asfalto... perto da represa, tem uma casinha lá que tem uma bomba, você sabe que tem... tem isso lá ainda, não tem? Lá de cima, porque muitas vezes eu fazia Educação Física com eles, acompanhava, mas eram quatro turmas de manhã, quatro turmas a noite, e não dá conta, né. Às vezes, um dia que dava eu fazia, outro dia eu não fazia, então eu ficava lá em cima e eu queria, cismei de fazer os meninos aprender a ordem unida, que era igual no exército, que é marchar e parar... um, dois, três, e fazer eles parar. Eu falava uma vez, marcha: aí eu falava quando você marchar o pé esquerdo no chão, vou falar out, você vai contar um no pé direito, dois no pé esquerdo, terceiro parou, não pode dar um passo a mais, e eu falei todo mundo sabe contar até três não sabe? E ninguém acertava o raio do trem rapaz, sabe (Hilton Rogério levanta e faz como um militar a ordem unida), out, out, tá vendo? Olha só um, dois, três, então eu falava assim quem errar corre lá embaixo, rapaz, mas corria 99%, eu falava, mas gente vocês não sabem contar até três? Então essa história todo mundo conta ela. Aí eu ficava lá em cima sabe? Aí a turma correndo, dava a volta na casa..."

A entrevista com o professor Hilton Rogério foi de suma importância para compreendermos, inclusive, a própria fundação da escola, pois ele participou do primeiro corpo docente e, assim, se expressou com relação aos espaços que eram destinados às práticas da Educação Física:

"No início da escola lá só tinha o campo, já existia o campo lá desde o tempo do fomento agrícola, o fomento foi inaugurado pelo pai do Dr. Alisson Paulinelli, foi ministro da agricultura, até era meu parente, Antônio Paulinelli, mas todo mundo conhecia como Tonico Paulinelli, fundou o posto agropecuário lá, o fomento agrícola, antes do colégio, então já tinha uma certa estrutura né, lá do fomento, então quando fundou a escola aproveitou a estrutura lá do fomento, e continuou dali pra frente. Depois foi feito aquela barragem, aquela água que tinha lá, aquela lagoa".

Popó era também adepto dos esportes, inclusive, ele, em diversos momentos, citou que praticava o futebol: "inclusive jogava também no time com os alunos". Nas suas aulas, com o passar dos anos, o esporte foi ganhando cada vez mais espaço, como nos revelou um dos seus alunos e hoje servidor do Campus, Sr. Ermin Rosa:

Sr Ermin 2"Na época nós tínhamos a antiga quadra de esportes, onde desenvolvíamos futebol de salão, handebol, vôlei e os demais esportes de quadra. Tínhamos também o campo de futebol e fazíamos aula de atletismo, no espaço da estrada que adentra a escola e ia até o posto de vendas. Na época o professor de Educação Física nosso era o professor Hilton Rogério de Carvalho, o professor Rogério, que ainda é vivo e residi em Bambuí. E nos anos 80, nós tivemos a adesão do professor Angeloantonio Paglia, que era professor de matemática, e que muito alavancou os esportes dentro do Colégio Agrícola de Bambuí. Exercícios laborais básicos de alongamento, de flexões, e depois era questão de aula de atletismo, as corridas de fundo e os esportes de quadra. Nem todos os alunos participavam, tinham alguns que resistiam, mas a maioria até praticava, porque a questão das faltas era rigorosa nessa época, então os alunos, "o com vontade e o sem vontade" eles tinham adesão. Tinha a participação de mulheres. No início tinha poucas mulheres no curso, não tinha uma turma específica para mulheres não, as mulheres faziam as atividades junto com os homens, com o pessoal masculino. Não tinha diferença nas atividades, mas a intensidade era menor. Quando era atividade de quadra elas entravam um pouquinho, não jogavam o tempo todo, mas participavam conosco". Sr. Ermin Rosa na foto ao lado.

O segundo professor de Educação Física foi Luiz Vaz Dias, o que mais tempo atuou na escola, de 1980 a 2007. Formado em Educação Física pela UFMG, revelou que naquele período não tinham referências teóricas. Declarou que o diretor da época era quem traçava o que queria para a Educação Física, que, segundo Luiz Vaz, ele queria atividades para os alunos. Contudo, a perspectiva "esportivista" é claramente evidenciada nos anos 80 na Educação Física brasileira e, com a circulação de ideias e de pessoas, essa postura foi assumida de forma acrítica e irrefletida, pois eles acreditavam que a hegemonia do esporte, ainda mais numa escola agrícola, onde grande parte dos alunos eram homens e internos, era bastante eficaz.

Luiz Vaz 2Segundo Luiz Vaz: "Lá na escola a gente consumia 5 bolas de futsal por mês na época, acabava mesmo, arrebentava, uma de campo e duas de espiribol, aquilo fazia barro em volta quando era chuva...rsss. Tinham as aulas em si. Eram 3 aulas de Educação Física por semana, 3 aulas de 50 minutos. Às vezes a gente tinha dificuldade de encaixar as aulas dentro do período. Porque os alunos período integral, então precisava encaixar dentro do Núcleo comum. Então a gente sempre colocava as aulas das 7 às 9. Então de 9:20, que terminava o recreio que dava tempo deles tomarem o banho, mas todas as práticas possíveis na quadra. É a gente tinha equipe de Handebol, Basquete, Vôlei, há época era futebol de salão, hoje é futsal, né. É...Natação, depois da piscina...tinha equipe de atletismo, muito boa, a gente participava, tinha tênis de mesa, depois teve uma época em que nós compramos uns equipamentos de ginástica, eu tinha até equipe de ginástica, tudo o que era possível fazer dentro de uma quadra, numa piscina, dentro de um campo de futebol a gente fazia. E os diretores da época cobravam muito da gente, e havia as competições e a gente tinha que ter uma equipe forte, nós chegamos a colecionar ali mais de mil troféus nessas disputas por aí, era muito bom."

Tinha participação de mulheres na EF? "Muito pouca, porque não tinha alunas, as alunas, tinham duas a três alunas por turma, e eram 360 alunos até 2002, antes de Cefetizar, então as meninas, as vezes elas participavam como... quando a gente ia jogar fora elas iam juntas, elas tinham atividades a parte, mas não dava para fazer equipes, eram poucas, as vezes de turmas diferentes, você ia dar aula, mas eram poucas, mas elas sempre tinham atividade". Professor Luiz Vaz

Podemos perceber acima que as modalidades esportivas eram muito valorizadas pelos alunos da escola, pela Direção que corroborava com a ideia muito presente na sociedade de que ter equipes esportivas fortes e competitivas ajudava a promover o nome da escola e a projetar os alunos para além do município de Bambuí. Além disso, as práticas esportivas davam vida, movimentava o Campus e ampliava as possibilidades de diversão e de práticas que os alunos tinham acesso.

Quando Luiz Vaz chegou contribuiu para ampliar as vivências, mesmo que pautado por uma visão de reprodução do esporte de rendimento no contexto escolar - que era fruto de uma característica do próprio momento que a Educação Física vivia; a vontade de desenvolver um trabalho abrangente e que possibilitasse aos alunos terem acesso a outras práticas corporais, como citado acima, manifestou-se no discurso do professor Luiz Vaz e também nos depoimentos dos alunos que entrevistei.

Na fala do ex aluno Irineu José Gomes Neto que estudou na escola de 1985 à 1987, pude perceber uma comparação das aulas ministradas pelos dois professores, Luiz Vaz e Popó:

"O Luiz Vaz era mais na parte de preparo físico, muita ginástica, muito exercício físico no início do ano, aí depois chegava um certo tempo e a gente já praticava mais o esporte, handebol, vôlei, futsal, era o que mais a gente fazia. Agora o Popó já era mais ligth, já era mais futebol e correr mais, agora o Luiz Vaz era mais... e tanto é que os alunos, a gente reparava, chegava aqui alunos pequenos, fraquinhos e saiam alunos fortes, resistentes...eu também não sei se era a prática que tinha também agrícola, ou se era a prática esportiva, acho que ajudava bem o desenvolvimento do corpo".

Diversas análises podem ser feitas a partir do depoimento acima. É interessante observar que neste momento o professor Hilton Rogério já estava encerrando seu ciclo como docente, últimos cinco anos de atuação profissional e, de modo compreensível, uma certa desmotivação e cansaço eram naturais. Por ter uma longa jornada de trabalho, com uma outra ocupação, podem ter interferido na qualidade das aulas.

Outra questão, que podemos problematizar, é quando o depoente cita que os alunos chegavam fraquinhos e saiam fortes e resistentes, pois devemos levar em consideração que eles ingressavam na escola num momento das suas vidas em que a formação do corpo ainda não estava completa, ou seja, com dois a três anos a mais iam "ganhando corpo", não simplesmente pela intensidade das aulas de Educação Física, mas sobretudo pela própria fisiologia humana e pelo desenvolvimento corporal. Ainda mais, como bem analisado pelo próprio entrevistado, os alunos tinham aulas práticas das disciplinas técnicas voltadas para a agricultura, o que também podia ser um fator de favorecimento na constituição física dos jovens estudantes. No entanto, não podemos afirmar categoricamente que as intervenções dos professores de Educação Física eram o único motivo das mudanças no biotipo dos alunos.

Todos os professores que entrevistei falaram que tentaram fazer o melhor no seu tempo, de acordo com os valores que eles acreditavam serem adequados para o bom funcionamento das atividades da escola e para a qualidade de vida dos alunos. A ideia de que a EF poderia incutir valores, regras, normas e bons hábitos, de saúde e de vida, estavam presentes e faziam parte daquele momento histórico, no qual existiam menos opções de lazer e de ocupação do tempo livre. Contudo, os alunos que se envolviam nas práticas esportivas a faziam intensamente, aproveitavam mais as possibilidades de lazer e de diversão, pois a relação com as tecnologias eram bem diferentes do que temos nos dias atuais, implicando uma forma completamente diferente de relação com o tempo livre, de ocupação dele e da forma de encarar a vida.

Alda 1Com relação a participação das alunas nas aulas, é importante acrescentar que existiam poucas mulheres matriculadas no curso de agropecuária. A visão preconceituosa e "machista", fruto daquela época, dificultava a inserção das mulheres em diferentes setores da sociedade. Segundo Alda Maria Torres Campos (foto ao lado), que estudou na escola de 1980 a 1982, "as alunas não participavam das aulas de Educação Física não. Geralmente eram dadas algumas atividades quando reuniam as alunas do primeiro, segundo e terceiro ano (Vôlei, Peteca, mas a maioria das vezes assistiam as aulas de Educação Física)".

Contudo, existem divergências a esse respeito, pois Sr Ermin relatou que:

"Tinha a participação de mulheres. No início tinham poucas mulheres no curso, não tinha uma turma específica para mulheres não, as mulheres faziam as atividades junto com os homens, com o pessoal masculino. Não tinha diferença nas atividades, mas a intensidade era menor. Quando era atividade de quadra elas entravam um pouquinho, não jogavam o tempo todo, mas participavam conosco."

Essa fala acima me fez refletir sobre a memória construída por cada sujeito e, que, sem dúvida, é fruto da experiência, mas também de elaborações e reelaborações ao longo do tempo. E também do lugar de fala e do entendimento de cada pessoa, sobre o que é participar da aula efetivamente. Sobre o sentimento de cada aluna (o) no momento da participação ou da exclusão.

José Heleno de Carvalho1Segundo José Heleno de Carvalho: em 1978 tinham 4 mulheres na turma dele, mas elas não participavam das aulas de Educação Física. Ele ainda narrou sobre as suas experiências nas aulas e a grande importância que os esportes tinham naquele momento em suas vidas. "Fazia, corria, fazia o aquecimento, é... fazia os colchões, tinha o rolamento, eu não dava conta de fazer, então o Popó, Rogério, era o professor de Educação Física, ele e o Ângelolantonio, que era professor de inglês e matemática, ele era italiano, aí ele era firme, firme mesmo, então ele mandava fazer o rolamento, eu vinha aqui na cooperativa aqui e voltava, eu tinha o corpo duro...e futebol, quase todo dia tinha o futebol, e tinha o campeonato, era os três primeiros anos, turma A, B, C e D. O segundo E, F, G, H e o terceiro I, J, L e M, né, o terceiro ano, aí a gente disputava".

O ex-aluno e, hoje servidor, José Heleno, lembrou de alguns eventos importantes para os alunos e para a escola, os quais ajudavam a consolidar as práticas esportivas no contexto da escola. Diversas competições eram realizadas entre as escolas agrotécnicas e, pelos relatos que obtivemos, pude compreender a importância desses eventos para os alunos e para as instituições. 

Para os estudantes esses momentos tiveram muita relevância. Ficaram marcados como lembranças afetivas, capazes de fortalecer vínculos, criar amizades e contribuir para a dinâmica da escola. 

"Tinha corrida, inclusive teve uma Olimpíada aqui em 79, e vieram as escolas: Florestal, umas quatro ou cinco escolas, nós ganhamos os troféus todos, em 80 nós fomos lá em Florestal, inclusive eu fazia parte do revezamento 4x100. Eu era muito esperto, corria muito. E 100 metros rasos também, eu fiquei em segundo lugar lá em Florestal e, aqui em Bambuí, em segundo também. Tinha um colega meu o Belimar, lá de Moema, que ele era muito bom mesmo, ele ganhava tudo. Natação, a gente não tinha piscina na época, né, mas a gente foi em Florestal, tem uma piscina lá, e nós ganhamos tudo lá, inclusive nós levamos um cara que não era da escola, que era campeão mineiro de natação".

Além disso, como já afirmei em outros trechos, eram nesses jogos que os códigos do esporte de alto rendimento eram reproduzidos e assimilados. Era quando os alunos que se destacavam nas modalidades esportivas se tornavam mais "populares", os quais ficaram marcados nas memórias dos seus colegas, como pude perceber nos depoimentos dos ex-alunos.

Mas isso, já é conversa para uma outra história....

Fiquem em casa!

 

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Fonte: Prof. Rodrigo Moura / Coordenação de Extensão do IFMG - Campus Bambuí

 

 

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